14 outubro 2017

Boca do Inferno

 Já não ia lá há muito tempo...
Hoje, passei por lá de manhã.
O mar estava calmo, muito calmo e,
como sempre, bonito, de um verde escuro que atrai...
Ao fundo, o Farol da Guia.
Já nem me lembrava desta placa e decidi investigar. Encontrei este registo, no arquivo do nosso Fernando Pessoa: aqui

09 outubro 2017

Volvo Ocean Race 2017-2018: o prólogo


Depois de uma longa estadia em Lisboa, nos estaleiros onde foram preparados, montados e aparelhados, os 7 veleiros que vão correr a Volvo Ocean Race fizeram-se ontem ao mar.

Era suposto que a largada da regata de "aquecimento", ou seja o troço 0, fosse em Lisboa mas a falta de vento levou-os até à zona do cabo Espichel e foi daí que largaram em direcção a Alicante (clicando na foto é possível seguir a regata).

Tirando o caso das grandes naves onde os cascos foram preparados, e que incluem as estufas de pintura dos cascos e dos mastros,

os estaleiros de Lisboa são uma duplicação dos estaleiros de Alicante, e irão ambos dar a volta ao mundo em contentores, de forma a serem instalados em cada escala antes que cheguem os veleiros da regata.

Assim, algumas das oficinas são os próprios contentores,

e os restantes equipamentos, escritórios, etc., são desmontados e contentorizados.

Os veleiros vão largar de Alicante no próximo dia 22 e terão que chegar a Lisboa até dia 2 de Novembro dado que a 3 é a regata dentro do porto. O "village" de Lisboa abre no dia 31 e aí poderá ver os veleiros e obter informação sobre as equipas e sobre a regata. No dia 5 de Novembro largam com destino a Cape Town.

05 outubro 2017

Um safari no Botswana - 3º dia: a caminho do acampamento


O delta é um espanto! Nunca tinha visto nada assim: numas zonas são uns lagos enormes,

noutras, onde aparentemente seria terra firme, existem estreitos canais

dissimulados entre "erva flutuante", caniçais e nenúfares.

A distância a percorrer ainda era grande: quase 3 km, medidos em linha recta, entre a "estação dos mokoros" e o acampamento; quase 2 horas de viagem.

Pelo caminho viam-se muitas aves, como este guarda-rios, ou martim pescador (Ceryle rudis): era lindo vê-los a "peneirar" e a mergulhar na água (não consegui apanhar nenhum com "brinde").

Também se ouvia o pio característico das águias pesqueiras africanas (Haliaeetus vocifer) mas aqui só consegui fotografar este juvenil.

Por fim, debaixo daquelas árvores estava o acampamento:

seis tendas duplas, com camas de campanha e um "anexo" com uma retrete química, duas cadeiras em frente de cada tenda, um toldo para a "cozinha", e ainda umas tendas individuais dos guias e guardas. No centro das tendas foi depois acendida uma fogueira, e ainda havia, por trás das tendas, uma "retrete campestre" e um duche.

A envolvente era também fantástica mas essa será outra história... (continua)

29 setembro 2017

Um safari no Botswana - 3º dia: a chegada ao delta do Okavango

No 3º dia de manhã, não tão cedo como nos dias anteriores, partimos em direcção à nossa aventura no delta do Okavango.
O Okavango nasce nas terras altas de Angola, atravessa a faixa de Caprivi, na Namíbia, e entra depois no Botswana onde movimentos da crosta terrestre (fiquei a saber que esta zona é bastante sísmica) impediram a sua progressão fazendo com que o rio se espalhe e desapareça nas areias do deserto do Kalahari, formando um delta interior. Apenas um pequeno braço do delta, do lado nascente, contribui para alimentar, indirectamente e de forma intermitente, a bacia do rio Zambeze.

Uma das interessantes particularidades do delta é que as cheias do Okavango ocorrem no pico da época seca - Junho e Julho - reforçando o abastecimento de água a este ecossistema único classificado como património da UNESCO.

Apesar de este passeio já ter sido em meados de Agosto, muitos dos braços do delta estavam ainda alagados, contrastando com a "aridez" das zonas envolventes.

A estrada, só praticável em veículos todo o terreno, vai atravessando pontes quase improvisadas,

e diversos braços do delta,

passando por pequenas aldeias,

até chegarmos, já do outro lado da "buffalo fence" (uma vedação construída em tempos para evitar o contacto entre animais selvagens e domésticos mas que nalguns troços já foi derrubada por elefantes), à "estação dos mokoros".
Os "mokoros" são estas pequenas pirogas, agora construídas de fibra (para poupar árvores e também para serem mais confortáveis), que, além de serem utilizadas na pesca, asseguram o transporte de pessoas e cargas através dos estreitos canais do delta: cada canoa pode levar dois passageiros, as respectivas cadeiras e mochilas, e ainda um "pole guide" que assegura a propulsão da canoa através de uma longa vara que vai cravando no fundo e nas margens.

Depois de todos acomodados, com os sacos e mochilas embrulhados em grandes sacos de plástico, partimos para o acampamento localizado numa das ilhas (ou penínsulas) do delta.

(continua...)

21 setembro 2017

Um safari no Botswana - 1º e 2º dias: Khama Rhino

Era uma das viagens que tinha "agendada": visitar a Namíbia, o Botswana e Victoria Falls: afinal são ao lado uns dos outros...
Mas como queria também ir a Moçambique acabei por "cortar" a Namíbia que ficará para uma próxima...
Ficaram assim 13 dias de safari, com início em Joanesburgo (na África do Sul) e fim em Victoria Falls (no Zimbabwe), atravessando uma boa parte do Botswana.
O primeiro dia foi longo: briefing às 6h30, saída pouco depois das 7h e depois quase 500 km até à fronteira que nesta zona é "assegurada" pelo rio Limpopo (foto abaixo) que já conhecia mas mais perto da foz, no Xai-Xai, em Moçambique.


Depois de ultrapassadas as formalidades alfandegárias, relativamente simples, dos dois países, e de uma rápida paragem para um piquenique pouco depois da fronteira, restavam ainda uns 180 km até chegar ao Khama Rhino Sanctuary, perto de Serowe, uma área de 8,5 mil ha, restaurada em 1992, através de um projecto que envolve as comunidades locais e destinado a salvar as cada vez mais ameaçadas espécies de rinocerontes.

Nesta área, muito bem guardada por patrulhas anti furtivismo e pelas Forças Armadas do Botswana, o programa de cria de rinocerontes em espaços naturais tem estado a correr bem e já permitiu reintroduzir 16 rinocerontes noutros locais do Botswana.
E para além dos "rhinos" é também o abrigo de inúmeras outras espécies, como zebras, girafas, avestruzes, bois-cavalos, impalas e estes gondongas (Alcelaphus buselaphus, não sei exactamente qual a subespécie, provavelmente a caama: "Red hartebeest")
.

Antes de tomar posse dos nossos aposentos, uns pequenos "chalets" com 2 quartos, fomos fazer uma visita ao campo para ver se encontrávamos rinocerontes.
O que não foi difícil: vimo-los a caminhar para uma pequena lagoa onde já estavam outros animais.


Estivemos a vê-los beber e depois regressaram à floresta de onde tinham saído.

Continuámos o passeio, mas não por muito tempo, porque o autocarro enterrou-se na areia e foi preciso pedir um reboque para o tirar de lá. E entretanto ficou noite...

O dia seguinte foi essencialmente de ligação: cerca de 450 km até Maun, a pequena cidade junto ao delta do Okavango, onde íamos comprar abastecimentos, para levar para o delta, e passar a noite.

Pelo caminho passámos por estes extensos "lagos" salgados, nesta altura praticamente sem água, e que servem de apoio à criação de gado, em especial bovino, uma das fontes de rendimento do Botswana.


(continua...)

13 setembro 2017

À descoberta das Terras do Risco


A serra do Risco, que culmina na "onda" descrita por Sebastião da Gama, e as férteis terras adjacentes, são uma das paisagens que caracterizam a serra da Arrábida.
Desta vez resolvi visitá-las e ver o que escondem.

Não consegui descobrir os inúmeros vestígios dos povoados antigos que existiram nesta zona, mas fiquei a saber que as chamadas "terras do Risco" têm características de polje: uma formação cársica que pode ficar temporariamente alagada e de onde a água se escoa através de algares como os das fotografias abaixo.



Nestas terras são também visíveis inúmeros afloramentos de brecha da Arrábida e algumas antigas zonas de extracção desta rocha ornamental.

No monte que se avista ao fundo localizava-se a antiga pedreira agora desactivada.

O caminho do lado direito permite chegar (quase) ao mar, próximo de um dos locais onde desaguam as águas subterrâneas provenientes dos vários sumidouros: a gruta dos Morcegos (só acessível pelo mar ou através de métodos de escalada).

05 setembro 2017

Concurso de fotografia "Photar a Gorongosa"


Título: Cumplicidade. Subtema: Fauna. Descrição do local e do motivo: A fotografia foi tirada junto ao rio Sungué que estava ainda bastante fora das margens e mais parecia um lago; mostra o namoro de um casal de grous coroados (Balearica regulorum). Data: 8 de Maio de 2014. Razão: O grou coroado é uma ave lindíssima e pouco comum, dado que está classificada como “em perigo”; no entanto este casal encontrou um refúgio na Gorongosa: gosto de os encontrar quando visito o Parque e gostei da cumplicidade revelada pelo olhar entre eles.

No final de 2014, o Centro Cultural Português da Beira, o Parque Nacional da Gorongosa e o Girassol (agora Montebelo) Gorongosa, organizaram este concurso de fotografia. Enviei três fotos: a de cima e as duas abaixo.

Título: Continuidade


Título: Reflexos do Poente

A foto de cima "Cumplicidade" ganhou o primeiro prémio: uma noite na Gorongosa, um jantar e um safari (para duas pessoas) e o livro do E. O. Wilson "Life on Earth" onde a Gorongosa é inúmeras vezes referida.
O livro enviaram-mo logo, mas só agora consegui ir receber a outra parte do prémio... Foi um gosto regressar à Gorongosa!!

E, está claro, tinha que ir procurar os grous coroados! O que desta vez não foi fácil, só mesmo no último dia é que os consegui ver e mais longe do que é costume. Pela foto dir-se-ia que estavam "desavindos", mas não... lá andavam os dois juntinhos com a cumplicidade de sempre.


E aqui reproduzo também o agradecimento que pedi que fosse lido na altura da entrega dos prémios em que não pude estar:
“Com muita pena minha não posso estar aí, nessa terra tão longe mas que está sempre no meu coração.
Fico muito honrada por as minhas fotografias terem sido escolhidas para uma exposição destinada a promover a indiscutível beleza e riqueza natural do Parque Natural da Gorongosa, um dos mais emblemáticos símbolos de Moçambique.
Quero por isso agradecer ao Centro Cultural Português da Beira, ao Parque Nacional da Gorongosa e ao Girassol Gorongosa, mas sobretudo quero deixar um agradecimento muito especial a todos os que votaram na fotografia que ganhou e que assim, se juntaram a mim neste pequeno mas sentido contributo para valorizar a Gorongosa.
Bem hajam, e até breve!”

28 agosto 2017

Concelho de Aljezur 1920 - 1963 (II)

Aldeia da Carrapateira (anos 40)
Praia de Monte Clérigo (anos 20)
Vila de Aljezur (anos 30)
Vila de Aljezur: nevão que ocorreu a 2 de Fevereiro de 1954

«Produção 1000 Olhos / Associação de Defesa do Património do Concelho de Aljezur»